"Gripei. Meu remédio mora a dois quarterões daqui. Fala pouco e tem gostinho de morango fresco. É leve e muito delicado. A embalagem esconde o que o interior carrega: um coração tão puro, que eu não fui capaz de cuidar. Meu remédio gosta de romances com finais trágicos e músicas que remetem a solidão. Antes, um sorriso era o suficiente pra sarar a minha alma. Mas agora, sem o meu remédio e eu dividindo a mesma cama. Vivo doente. Qualquer mudança de tempo me abala. Gripei! E é meu coração quem apresenta os sintomas."
indirect:
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome: auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é: autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de: amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é: respeito. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é: plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é saber viver. Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."
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"— Você é tão quieto.
— Sorte sua não ler mentes, eu te assustaria com a confusão."
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"Estou entupida de tanto sentimentos vazios, de múltiplas sensações que vasculham meu estranho ser. Estou anotando em qualquer papel que vejo o motivo por ainda continuar a tentar. Já escrevi mais de dez vezes e com caneta vermelha. Para ver se de uma vez por toda alguma coisa entra na minha cabeça, nem que seja por osmose. Ando recitando versos ao ar, cantando com os pássaros e deixando essa melodia me levar. Caminhando sobre ovos de casca fina, batendo nos móveis na sala e deitando na rede pedindo socorro mais uma vez. O céu não é apenas lugar de pássaros e nuvens, tem paz, zelo e amor. Estou implorando com o mais profundo grito da alma, enaltecendo no lirismo profundo. Alguém me ajuda, por favor? Esses dias dei uma saída e passei em uma lojinha de rua, “posso te ajudar” - escrito na camisa de uma jovem atendente, confesso que deu vontade de contar tudo, de desabar até o amanhã chegar. Mas a ética não me deixou, a sanidade ainda é presente em minhas veias. Quem diria, uma das mais inconsequentes tornou-se digna de decência. Qualquer ser humano imaginaria o pior de mim, poderia ser só mais uma qualquer presa no limbo, mas não sou. Eu vou sair de tudo que me prende e repuxa, vou fugir daquelas coisas que me reduzem a nada. Só preciso de uma mão amiga, de palavras verdadeiras e um amor sincero que saiba cuidar de alguém. Nem todos são dotados de amor, falam sobre caridade, respeito e ternura. Mas justo na hora que um amigo mais necessita, vira-se as costas e dá adeus. Mesmo assim, vou continuar a acreditar que as pessoas podem mudar, o amor transforma o mundo, basta apenas saber como usá-lo."
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